Perfil - Luiz Fernando Liveira - "Ser Amazônico !"

Luiz Fernando Liveira
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 Perfil

Perfil de Luíz Fernando Liveira
Atualizado em 08/12/2013

PERGUNTA:
Quem é Luíz Fernando Liveira?


LFL: Luíz Fernando Liveira é alguém totalmente engajado e comprometido com as coisas amazônicas. Diria que Luíz Fernando Liveira vive e respira Amazônia.

PERGUNTA:
E por quê? Qual a motivação?


LFL: Vivo no Pará desde que o discernimento da vida me surgiu. E, o contato direto com a natureza amazônica despertou em mim um sentimento que considero único e inexplicável...é algo que só pode ser sentido, e dificilmente, poderá ser explicado.

PERGUNTA:
Em se tratando de Amazônia, seria esse sentimento algo que beira o misticismo, como um encantamento, por exemplo?


LFL: Acredito que não um encantamento como se imagina, mas, um encantamento genuíno, puro...livre de paradigmas religiosos ou de crenças.

PERGUNTA:
O Sr. é religioso?


LFL: Sou agnóstico.

PERGUNTA:
Não tem religião. É ateu?


LFL:
Acredito que Deus está muito além das possibilidades da minha compreensão. Acredito na sua existência. No entanto, minha personalidade não permite que eu me enquadre nos padrões e regras que Ele determina para aqueles que O seguem.


PERGUNTA:
Por que, exatamente, o Sr. decidiu seguir esse caminho: O da divulgação das coisas amazônicas?


LFL: Por que, como eu disse antes, esse contato direto com a Amazônia na sua essência, despertaram em mim preocupações, inerentes ao meio no qual eu sempre estive inserido. Destaco, em especial, os meios social e ambiental.

PERGUNTA:
Então, o Sr. é um Ativista Social e Ambiental?


LFL: Não sei se no sentido exato desse “título”...observo que a sociedade brasileira está sempre muito preocupada em determinar e exigir “títulos” sem, na maioria das vezes, questionar o que vem por trás desses “títulos”...

PERGUNTA:
Como assim?


LFL: Vou exemplificar: Algumas pessoas que estão no poder, costumam confundir o real significado dos títulos que ostentam ou exercem.


Um Ministro de Estado, no Brasil, costuma exigir todos os privilégios inerentes ao posto que está ocupando. Segundo o Dicionário Aurélio, no entanto, um dos significados de “Ministro” é: “Aquele que executa os desígnios de outrem: medianeiro, intermediário, executor, auxiliar”.

Um Ministro de Estado é, antes de qualquer coisa, um servidor do Estado, um mediador, um auxiliar. O que percebo, no entanto, é que as pessoas que ostentam o título de Ministro, no Brasil, se sentem como semideuses, intocáveis. Dificilmente, essas pessoas estão focadas no objetivo principal do posto ou título que ostentam: O de servir. Muito pelo contrário, querem ser servidas de todas as honrarias que este “título” costuma ter.

PERGUNTA:
Qual a sua ideologia política? É filiado a algum Partido?


LFL: Não sou filiado a partido político nenhum, e nem pretendo, em sã consciência, sê-lo.

PERGUNTA:
Como assim, “em sã consciência”?


LFL: Penso que a Política Partidária é o verdadeiro câncer social do Brasil. Explico: Com a Política, pessoas humildes se tornam arrogantes e inacessíveis; Pessoas que "não eram ninguém", e que eleitas, passam a ser "autoridades", se comportam como verdadeiras primas-donas; Pessoas que eram amigas e até parentes e que, com a Política, viram inimigas mortais, e, para finalizar, pessoas que tomavam chibé (com todo o respeito que o chibé merece), e que, com os salários polpudos bancados pelo Erário Público, passam a comer caviar.

Ah, e ainda tem as "comissões", os mensalões...no final de tudo, pessoas pobres - de dinheiro e de caráter - usam os cargos públicos para enriquecer, às custas do sacrifício do povo que juraram defender.

A meu ver, a Política Partidária é a verdadeira tragédia social do Brasil.

PERGUNTA:
Uma posição bem antagônica e polêmica. E, como fica a sua situação, como cidadão? O Sr. vota, não?


LFL: Confesso que já votei e fiz “boca de urna” algumas vezes, iludido com as propagandas do Governo e de aproveitadores do desespero do povo, principalmente, dos menos esclarecidos. Na atual fase do Brasil, que é ‘administrado’ por políticos, corruptos, mercenários, hipócritas, ladrões, etc, etc, o grande diferencial é o Povo, que (ainda) vota.

Quando o Povo se conscientizar de que votar em políticos não leva a lugar nenhum, talvez a história mude, no Brasil. Essa ideologia de que “Votar é um direito cívico”, de que você “Está exercendo sua cidadania, votando”, é tudo conversa fiada e propaganda do Governo e dos demais políticos, que querem manter o povo alienado. As tais “eleições” só servem para os políticos surrupiarem os recursos da nação, e continuarem a zombar do Povo, que os elegem.

É bem verdade que, no passado, muitos perderam a vida para que hoje o voto fosse direito de todos. Só que os políticos perceberam isso, fazem toda sorte de manobras sujas e mutretas, para manter o Povo na ignorância. Eu – como cidadão de uma Democracia – pretendo não votar mais, enquanto esse sistema corrupto e nojento perdurar. Inclusive, pleiteio esse direito na justiça.


PERGUNTA:
O Sr., inclusive, lançou uma campanha nas redes sociais, intitulada “Voto Congelado”. Como é isso?


LFL: Ah, é verdade. Prometi que só vou votar de novo, quando os políticos brasileiros doarem seus salários – por escrito! – para a Saúde e a Educação, no Brasil. No entanto, desconfio que meu voto irá ficar congelado para sempre, pois parece que o povo brasileiro gosta de sofrer.

Basta se aproximar o “dia das eleições”, para que todos esqueçam as roubalheiras, os mensalões, os voos em jatinhos e helicópteros militares, os dólares em cuecas e calcinhas...e voltem a acreditar nas mesmas demagogias e hipocrisias de sempre.

Há momentos, nos quais o povo brasileiro me deixa desesperado, envergonhado...

PERGUNTA:
Mas, na sua visão, não há nenhuma exceção, no meio político brasileiro?


LFL: Não. Confesso que tenho prestado alguma atenção ao que dizem Marina Silva, do Acre, e o ex-futebolista Romário. Mas, não os vejo como exceções à regra.

PERGUNTA:
Sendo assim, o Sr. nunca seria candidato a nenhum cargo político?


LFL: Nunca é uma palavra que dificilmente uso. No entanto, acredito que eu não daria certo na política partidária, na forma como ela é vista e conduzida no Brasil, atualmente.

Não me encaixo no perfil do canastrão, que quando precisa de votos, caminha por ruas enlameadas, sobe favelas e palafitas, beijando crianças e idosos e, quando consegue o que quer, simplesmente some do alcance daqueles que lhes deram – além dos votos – suas confianças e esperanças.

Acredito que não há crime pior na face da terra, do que ter sua esperança jogada no lixo por hipócritas que se aproveitam do seu desespero...


PERGUNTA:
O Sr. afirma que pessoas que exercem posições de liderança e influência devam, essencialmente, tomar posição, pois são formadoras de opinião. Como é isso, exatamente?


LFL: Bom, o que penso é que chega um momento na vida no qual, dependendo das funções que você exerça dentro de um grupo, você passa a ser referência para esse grupo, para a sociedade, etc, querendo você ou não. E, quando se atinge esse patamar, você deve ser o mais claro possível, defendendo opiniões e conceitos de forma direta e objetiva. É o tal “não ficar em cima do muro”.

Recentemente, acompanhei a presença do papa Francisco no Brasil. Apesar de eu não ser religioso, vi com grande entusiasmo a maioria das atitudes e comentários do Bispo de Roma. No entanto, uma declaração em particular me chamou a atenção: Foi quando ele foi questionado sobre a questão da causa homossexual. A sua resposta foi: “Se a pessoa se sente bem com esse comportamento, quem sou eu para dizer o contrário”.

Ora bolas, eu achava que ele era o líder da maior religião do planeta, portanto, um grandioso formador de opinião. No meu entender, nessa questão em específico, o líder católico foi omisso.

PERGUNTA:
E, qual a sua opinião sobre o chamado Lobby Gay?


LFL: Falando especificamente do Brasil, que é uma Democracia (pelo menos, na teoria), penso que todo e qualquer cidadão brasileiro tem todo o direito de pleitear qualquer reivindicação, sendo essa a sua vontade.

Particularmente, não concordo com a prática homossexual que, a meu ver é, no mínimo, ilógica. Basta uma rápida passada na Fisiologia Humana, para observar isso. Penso que a natureza levou milhares de anos para determinar que pênis foi feito para vagina, e vice-versa, e, o que foge disso, não pode ser considerado “normal”.

No entanto, tenho muitos amigos e amigas homossexuais. São pessoas magníficas, cidadãs nas suas essências, e eu as respeito muito, apesar de não concordar com suas opções sexuais.

O Brasil é incrível: É praticamente o maior país católico do planeta. E eu, agnóstico, sei que o manual do cristianismo – a Bíblia Sagrada – condena claramente a prática homossexual. Então, como é possível a pessoa dizer ser cristã, e ao mesmo tempo, homossexual? Em suma, não concordo com a prática homossexual, mas respeito a vontade de quem quer praticá-la, assim como quero ser respeitado no meu pleno direito de ser heterossexual.


E se, algum dia, for necessário fazer passeata e protesto, visando manter meu direito de ser homem, macho do sexo masculino, e heterossexual, sem dúvida de que eu o farei.

PERGUNTA:
E o que o Sr. pensa sobre o período da Ditadura Militar no Brasil?


LFL: Esse período foi de fato, difícil, na história da nação. É verdade que eu não havia nascido, na época. No entanto, a história diz que foi uma fase crítica do país.

Quando o ser humano tem sua liberdade de expressão e seu ir-e-vir cerceados, ele perde a sua essência...agora, não justifica o alarde negativo que muitas ‘personalidades’ fazem desse período, principalmente, políticos. Muitos desses políticos, por sinal, estão no poder, agora. Esses políticos, que agora criam ‘comissões da verdade’, desenterram e exumam corpos de outros políticos da época, querem mostrar uma faceta de cidadania que jamais tiveram. Esses mesmos políticos de agora, TAMBÉM sequestravam, torturavam e praticavam a anarquia, na época da Ditadura. Até por isso, que eram presos. Por sinal, alguns desses políticos, se tivessem ficado presos desde aquela época, não estariam causando tantos infortúnios e desfalques aos cofres e dignidade do país, atualmente.

Agora, nada justifica tortura, nada justifica assassinatos em cativeiros e destruição de famílias inteiras, que até hoje, não conseguem sepultar dignamente seus mortos. Assim como nada justifica políticos, que agora são ‘autoridades’, atuarem ativamente – por pura represália e vingança – contra militares e órgãos públicos do presente. Até por que, a grande maioria dos militares atuais nem eram nascidos, naquele tempo. A meu ver, o enfraquecimento das Forças Armadas e de órgãos públicos – como a Polícia Federal – por exemplo, deixam a já débil Soberania Nacional totalmente a mercê da sorte. As fronteiras, as riquezas naturais, a Amazônia, não podem ficar a mercê da sorte. Qualquer líder com um mínimo de bom-senso saberia disso. Agora, para quê se preocupar com tudo isso, se em Brasília, os cofres da nação estão – também – a mercê de ‘mãos sensíveis’...

PERGUNTA:
O Sr. tem sido um crítico ferrenho da Copa do Mundo de Futebol no Brasil. Porquê?


LFL: Há um equívoco na pergunta: Eu não sou contrário à Copa do Mundo, aos Jogos Olímpicos, ou a qualquer outro evento de abrangência mundial a ser realizado no país. Eu sou contrário à forma como esses eventos são conduzidos, principalmente, no que diz ao emprego dos recursos públicos.

Tenho acompanhado – estarrecido – como as obras dos estádios para a Copa estão com os valores superfaturados. Não resta a menor dúvida de que pessoas e órgãos estão enriquecendo com esses desvios de recursos.

Recentemente, publiquei um artigo, intitulado “O Gene da Corrupção”. Nesse artigo, discorro sobre a tese de que a corrupção no Brasil, parece ser genética. Me parece, que todos nós, brasileiros, já nascemos com uma pré-disposição à corrupção, bastando aparecerem ‘oportunidades’ para tal.

Relato um caso de uma pessoa que, eleita vereadora em determinada vila amazônica, recebeu um valor, para ser aplicado em um projeto social. Ao invés disso, se dirigiu ao banco, sacou todo o dinheiro – em espécie – e foi correndo para casa. Lá chegando, chamou a mulher no quarto, abriu duas malas repletas de dinheiro, e começou a jogar as notas para cima e a gritar: ‘Estou rico!’, ‘estou rico!’. Dias depois, esse mesmo ‘representante do povo’ juntou a família e alguns amigos, e viajou ‘de férias’ para o Caribe. Resumindo, o projeto nunca saiu do papel, e o valor a ele destinado foi gasto em farras e passeios do tal edil e seus familiares.

Está bem claro que grandes partes dos recursos para a Copa do Mundo estão sendo desviados para contas e bolsos particulares. O fato de um evento da magnitude de uma Copa do Mundo de futebol ser realizado no Brasil é, de modo geral, benéfico. A forma como está sendo conduzido o processo desse evento, é que está errada.

Não me conformo com o fato de Belém-PA não sediar um dos grupos da Copa. Não estou interessado nos jogos, e se a seleção A, B, ou C vai jogar. O que me interessa é a oportunidade ímpar para melhorias na cidade e adjacências, principalmente no que tange a infraestrutura. Justamente no momento em que o Pará mais precisou dos seus ‘representantes públicos’, visando apresentar argumentos convincentes aos comissários da FIFA, eles foram omissos e fugiram de suas responsabilidades. Aliás, como sempre fazem.

PERGUNTA:
Mas, Manaus-AM foi escolhida...


LFL: Sei disso, e fiquei muito feliz com a escolha da “Mãe dos Deuses” (tradução do nome ‘Manaus’, derivado de ‘Manaó’), que é uma cidade magnífica, e sempre me recebe muito bem. Só que, comparativamente, a distância entre Manaus-AM e Belém-PA é maior do que a distância entre muitas das sedes do Mundial. Ou seja, os benefícios serão somente para Manaus-AM e, de repente, para uma pequena parte do Estado do Amazonas.

E isso é ruim? Claro que não, é muito bom! Mas, e as outras regiões da Amazônia?


PERGUNTA:
Mas então, o Sr. acha que a FIFA tinha que atender a todas as cidades amazônicas?


LFL: Claro que não...não era essa a intenção. O que penso é que a divisão das sedes foi mal planejada, para variar. Por serem as duas maiores metrópoles da Amazônia Brasileira, Belém-PA também deveria ter sido escolhida. E, a capital paraense está relativamente próxima de Macapá-AP e de São Luís-MA, centros que também lucrariam com essa escolha, distribuindo mais uniformemente os benefícios que esse evento gerará.

PERGUNTA:
E quais os critérios o Sr. imagina que levaram Manaus-AM a ser escolhida, em detrimento de Belém-PA?


LFL: Eu acreditava que as duas cidades, Belém-PA e Manaus-AM, seriam escolhidas. Pelas questões históricas, por serem os centros de referência da Amazônia, etc e tal.

Respondendo a pergunta, acredito que Manaus-AM foi escolhida por dois fatores: Político e Econômico. Na chamada ‘hora H’, os políticos amazonenses fizeram o mínimo que se espera de um político: Representar o povo que o elegeu. E, econômico, por que há a Zona Franca de Manaus, onde grande parte dos patrocinadores da FIFA mantém filiais.

PERGUNTA:
Nas suas palestras, o Sr. dá bastante ênfase as questões educacionais. O Sr. poderia falar um pouco sobre isso?

LFL: Claro! A Educação é, a meu ver, um dos pilares para se construir uma sociedade justa e com qualidade de vida. Só que, no Brasil, a Educação é relegada a segundo plano. Se observarmos as maiores potências mundiais, veremos sempre que eles priorizam a Educação. O Brasil precisa corrigir esse erro o mais rápido possível, se tem pretensões de crescer, realmente.

Fico horrorizado, quando viajo pelo país, principalmente nos interiores, e vou conversar com jovens. Ouço adolescentes de quinze, dezesseis anos, totalmente sem objetivos e planejamento para o futuro.


Partindo do princípio de que esses mesmos jovens serão “o futuro do país”, que futuro esse país terá? Quando o salário de um professor é de míseros R$ 800,00 mensais e o de um vereador é de R$ 10.000,00 ou mais (e eles mesmos “se dão” aumento todo ano), quem vai querer ser professor?

Recentemente vi, horrorizado, professores sendo espancados no RJ, como se fossem animais, por pleitearem aumentos de salários. Não vejo nenhum político sendo surrado, quando aumentam seus já astronômicos rendimentos. A meu ver, está claro que os políticos querem manter o povo alienado e mal-educado (no sentido da falta de educação literal, mesmo).

PERGUNTA:
Qual a sua formação acadêmica?


LFL: Sou estudante de Turismo, História e Antropologia. Já iniciei cursos de nível superior por diversas vezes, anteriormente, mas, por necessidades de precisar trabalhar para sustentar dois filhos, e falta de tempo mesmo (o que ocorre com a quase totalidade dos cidadãos brasileiros), não consegui concluí-los.

PERGUNTA:
Chega a ser surpreendente a sua trajetória. Como alguém que saiu de uma vila no interior da Amazônia, autodidata, consegue publicar livros, inclusive no exterior?


LFL: É o que falei antes. A sociedade brasileira dá muito valor aos “títulos” que uma pessoa ostenta, e não ao que essa pessoa possui de vivencia, ou no coração. Observo que, quando vou assistir palestras, a primeira ação que o palestrante toma é apresentar seu “currículo”. E, na maioria das vezes, esse palestrante é horrível. Mais, por causa do seu currículo extenso, as pessoas costumam valorizá-lo mais do que deveria.

PERGUNTA:
E não deveria ser assim?


LFL: Penso que uma pessoa pode desempenhar funções importantes muito bem, sem a real necessidade de um ‘canudo’ de universidade. Acredito que um dos caminhos para a Educação e o Desenvolvimento Econômico no Brasil, seja o da massificação dos chamados cursos técnicos.

Na sua aula magna na UFRJ (a Universidade Federal do Rio de Janeiro), Ferreira Gullar aborda essa questão. Segundo ele, se todos possuírem título de nível superior, quem vai executar as funções consideradas intermediárias? Se todos forem engenheiros civis, quem vai preparar o cimento, carregar areia e levantar as paredes? Agora, um título superior é importante? Claro que é! Agrega valores e conhecimento? Isso é mais que lógico e evidente.

PERGUNTA:
Na sua visão, como ficaria – por exemplo – a situação de uma empresa, que precisa selecionar mão de obra qualificada?


LFL: Existem cursos técnicos que qualificam pessoas para praticamente todas as áreas que uma empresa precisa, para ser bem gerida.

Se o problema é mão de obra qualificada, penso que os cursos técnicos sejam a solução, pois são mais baratos e de menor duração. Conforme um funcionário fosse galgando postos em determinada empresa, aí sim, lhe seria exigido cursos de níveis superiores. Mas, para efeito de empregabilidade de pessoas, os cursos técnicos seriam a solução, pois além de diminuírem o desemprego, fortaleceriam a economia do país e, o que é melhor, a autoestima dos cidadãos que estão fora do mercado de trabalho por não possuírem cursos superiores, seria preservada e incentivada.

PERGUNTA:
Há um vídeo no YouTube, onde o Sr. concede uma entrevista a uma TV do Chile, em espanhol. O Sr. frequentou algum curso do idioma?


LFL: Nenhum. Aprendi a falar indo nos locais e, também porque, na Amazônia, existem as áreas fronteiriças, onde o espanhol, o francês, e o inglês são falados.

PERGUNTA:
Recentemente, houve um plebiscito no Pará, onde a proposta era a criação de mais dois estados, dentro do atual território paraense. O Sr. poderia dizer qual foi o seu voto?


LFL: Claro! Votei pelo “Não”. Explico o porquê. Com a divisão que era proposta no plebiscito, seriam criados mais dois estados: Tapajós e Carajás, e a manutenção do Estado do Pará, com o que restasse da divisão. Assim, surgiria um estado riquíssimo: Carajás, em virtude das jazidas de ferro e derivados, da Serra dos Carajás. E isso seria ruim? Claro que não. Seria ótimo, principalmente para quem é dessa região. Teríamos um estado mediano, o do Tapajós, o que seria bom para a região tapajônica – principalmente Santarém – que carece de mais atenção, realmente e, por último, teríamos o novo Estado do Pará. Esse “novo estado” teria a maior densidade demográfica da Amazônia e, em contrapartida, seria o mais pobre em recursos.

Mas, o que me fez votar pelo “Não” foi o fato de que, para que essa divisão fosse levada a cabo, seria necessário a criação de novas sedes administrativas, com a construção de prédios para o funcionamento dos governos e, consequentemente, surgiriam mais “políticos”.

A meu ver, o número de políticos no Brasil já é muito grande, causando um desfalque exorbitante nos cofres da nação. Para mim, qualquer decisão na qual seja necessário o aumento do número de políticos é inviável e imoral, para dizer o mínimo...

PERGUNTA:
Voltando à questão política, qual seria, na sua visão, a solução para o país?


LFL: Acredito firmemente que os cargos políticos não deveriam ser remunerados. Se fossem retirados os salários polpudos e comissões imorais que os políticos recebem no Brasil, atualmente, tenho certeza de que, dos 81 senadores, e dos 513 deputados, somente uns 10% dos que estão aí, continuariam nas funções. E olha que eu estou sendo otimista. Dessa forma, o povo descobriria quem – realmente – está preocupado com as causas da nação.

PERGUNTA:
Ué? Então, os políticos trabalhariam de graça?


LFL: Não exatamente. Acredito que se poderia instituir o chamado “ganho por produção” no Congresso Nacional e Câmara dos Deputados. Todos receberiam salários com tetos estipulados por uma comissão popular – que seria formada aleatoriamente – para evitar corrupção. E só fariam jus a esses salários aqueles que apresentassem projetos viáveis e de relevância para a nação.

Faltas ao trabalho sem justa causa e os atuais recessos absurdos não seriam tolerados, normas, aliás, que as pessoas que realmente trabalham, nesse país, estão sujeitas, diariamente. O que precisa ser revisto, imediatamente, é porque o país gasta cerca de R$ 23 milhões – pasmem! – por dia, para pagamento a políticos.

Com essa dinheirama, seria possível consertar tanta coisa no país...

PERGUNTA:
Isso beira a utopia, não?


LFL: Isso pode virar realidade, se o povo quiser. Um senador, deputado, prefeito, qualquer político, não é “autoridade”. Ele “está” autoridade.

A autoridade que muitos políticos arrotam, arrogantemente, possuir, não é deles, e sim, do povo que os elegeram.

PERGUNTA:
Se for assim, significa que o povo pode destituir um político que não seja do seu agrado, a qualquer tempo?


LFL: Claro que sim!

PERGUNTA:
E, como o povo faria isso?


LFL: O povo já entendeu que, do jeito que a vida pública está, não pode mais ser. Os protestos e passeatas diárias, por todo o Brasil, demonstram claramente, isso.


Se o povo parar de votar, não há político eleito. Se não houver político eleito, os cofres da nação agradecem.


OBSERVAÇÃO: O texto acima é de Luíz Fernando Liveira, que assume total responsabilidade pelo seu teor e autoria. O autor se reserva ao direito de – a qualquer tempo – modificá-lo ou substituí-lo.

© Luiz Fernando Liveira

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